ANIMAIS “SALVARAM” PANDEMIA DE MUITOS PACIENTES

O luto em meio às restrições que o isolamento impõe pode se tornar insuportável

14/08/21

Por: Patrícia Vidal

Pandemia fez vínculos com animais domésticos se estreitarem

Quando a psicanálise estava em alta e tinha por certo que a alimentação do bebê humano estabelecia a vinculação com a mãe, Bowlby se interessou pela etologia, pesquisando sobre o comportamento da dupla mãe-filhote em mamíferos e aves. Bowlby refere o experimento de Harlow, nos anos 60 em seu livro Apego – a natureza do vínculo. Macaquinhos rhesus foram separados da mãe ao nascer, Harlow levou a cabo uma série de testes para verificar a preferência dos filhotes pelo aconchego em detrimento da nutrição. Apresentados a dois protótipos de arame, um com mamadeira e outro coberto com um pano macio, os bichinhos ficaram agarrados à ‘mãe/boneca’ macia até 15 horas/dia, permanecendo com a mamadeira apenas 1 hora. O experimento derrubou a hipótese psicanalítica e trouxe para os holofotes a importância do contato físico gerador de segurança e conforto para o desenvolvimento psíquico saudável.

Patrícia Vidal

Psicóloga especializada em vínculos e luto por perda de animais domésticos.